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Posts Tagged ‘dekasegui’

Uma outra forma de vida dekassegui - Parte 2

Domingo, Maio 25th, 2008


Como manter as despesas baixas

É verdade. O Japão é provavelmente o lugar mais caro para se viver no mundo. Mas, como já disse antes, o custo de vida no meio rural é uma fração do que é na cidade. Aluguel e preços de imóveis são bem razoáveis, há abundância de terra e as casas são grandes. Em nossa região, a água é fornecida por uma “cooperativa” e paga-se de uma taxa fixa por ano (6.000 ienes), não importa o quanto você usar. Sei de gente que paga 5 vezes mais do que nós apenas pela água e esgoto na cidade vizinha. A electricidade é razoável e confiável.

De longe o maior gasto neste país, especialmente para famílias com crianças, é a alimentação. É muito cara e não existem programas para ajudar pessoas com baixa renda. E mais, em cima disso temos 5%, que é um imposto sobre as vendas em tudo comprado (nos é dito que é para sustentar a parcela idosa da sociedade). Isto pesa. No entanto viver no interior e ter terra para cultivar nos permitiu reduzir fortemente os nosso gastos com alimentação. Somos auto-suficiente em frutas e produtos hortícolas frescos, incluindo grãos de trigo. Aquilo que não podemos criar ou produzir é obtido por trocas. Criamos frangos de corte e ovos. Atualmente trocamos ovos por leite e manteiga com um pequeno produtor da prefeitura de Nara. Ovos por arroz com uma família em Kyushu, carvão vegetal com outra pessoa, diversas coisas com gente de todo o país. A indústria de remessa de pacotes é muito competitiva e eficiente aqui.

Em um país deste tamanho a maioria das coisas chegam em um ou dois dias. O custo é bem baixo, 400-600 ienes para enviar uma caixa de 5 kg para a maioria dos lugares do país. Ficamos conhecendo essas pessoas através da Internet. Não usar dinheiro significa que podemos tirar vantagens do sistema para melhorar nosso padrão de vida. A maior parte das pessoas com que fazemos permuta produzem seus próprios produtos e costumam enviar mais do o prometido (como nós fazemos) de maneira que você acaba obtendo mais do que obteria no supermercado pagando em dinheiro. Com isso também evitamos imposto sobre as vendas, sobre a renda, sobre propriedade, etc. Negociamos diretamente com as pessoas que consomem o que produzimos. Como mencionei antes, muitas coisas como saúde, mensalidades escolares, imposto sobre a renda são baseados no nível de renda que você têm. Quanto mais você ganha mais você paga. Mais corretamente , quanto mais você declara o que você ganha, mais você paga. Devo mencionar que embora não seja por educação ou inclinação especialista em imposto, nunca paguei qualquer imposto sobre renda neste país. Nunca ganhei o suficiente para tanto. Eu faço isso mantendo minha renda declarada abaixo de um certo nível ficando assim fora do radar dos fiscais de imposto. Isso também reduz despesas baseadas em renda. O esquema de permuta funciona bem, já que (pelo menos até agora) produtos permutados não são considerados sujeitos a imposto (como são em alguns países). Muitas pessoas que têm negócios e trabalham só com dinheiro vivo mantém dois livros de contabilidade. Isto funciona porque raramente alguem é flagrado e ninguém vai para a prisão por delitos fiscais no Japão. Se for flagrado há normalmente apenas uma multa pesada. É onde se manter quieto sem aparecer muito vale a pena. Muitas despesas podem ser reduzidas por não se possuir bens imobiliários também. Proprietários de imóveis no Japão atraem atenção. Nós preferimos alugar casa e terrenos. Para aqueles dedicados à acumulação de riqueza financeira há outras maneiras. Não mantenha o seu dinheiro em bancos japoneses; eles pagam quase que nenhum juro. Nós remetemos o que podemos para o estrangeiro de uma maneira civilizada. Transações não documentadas em papel são as melhores embora as autoridades parecem estar mais preocupadas com o que entra no país e não tanto quanto o que sai. A Coréia é um lugar conveniente e um paraíso fiscal popular para conta bancária para japoneses com muito dinheiro e hiper taxados (com mais de 50% de imposto a pagar). Propriedades no exterior e renda obtida fora do pais não são passíveis de tributação a menos que trazidos para dentro do país. Notei recentemente que nem o Japão ou Coréia ou qualquer outra nação asiática, nesse aspecto, fazem parte da lista negra da OECD. Acho que isso significa que eles não estão preocupados com isso ainda.


Que tal abrir uma empresa?

Sentimo-nos encorajados com o crescimento da Internet neste país e com a eficiência do sistema de entrega do pacotes e da infraestrutura em modo geral. Me sinto confiante em dizer que será possível atingir o mercado diretamente, sem nunca ter de passar pelo “tradicional” sistema de distribuição. Como já disse antes, estamos no negócio de produção de frutas frescas mas muitas outras possibilidades vêm à mente. Como negócio de importação/exportação para “viajantes perpétuos”. Antiguidades estrangeiras, sobretudo ocidentais, antigas moedas, selos, cartas de presidentes e primeiros-ministros são muito populares e obtém bom preço aqui, especialmente se for da época da Segunda Guerra Mundial. Estes ítens são pequenos e podem ser transportados ou remetidos muito facilmente. Que tal plantar flores e vende-las pela Internet? Flores frescas obtém um bom preço no mercado. Existe até serviço de pacotes congelados (cool takyubin), caso seja necessário. A maior parte dos ocidentais que conheço prefere escolas de inglês. Isto é fácil de montar mesmo que com pouco dinheiro e pode ser feito em casa. De fato, se você resolver se estabelecer numa zona rural onde existem poucos ou nenhum estrangeiro ensinando inglês, as pessoas vão bater à sua porta para pedir para ensiná-los ou aos seus filhos. Isto leva apenas algumas horas por semana e pode ser um negócio muito lucrativo como bico ou ocupação principal mas, mais uma vez, “só a base de dinheiro vivo”. Isso também ajudará você a conhecer pessoas e fazer amigos na comunidade local, que pode ser vantajoso.



Desvantagens

Sem dúvida existem muitas desvantagens e obstáculos a vencer para estabelecer residência no Japão. A língua sendo a primeira e talvez mais importante, mas se você estiver dedicado à aprende-la, o que pode demorar alguns anos, qualquer um pode aprender (se eu consigo, qualquer pessoa pode, acredite em mim). Há sacrifícios, mas, como qualquer outra coisa na vida, pode haver grandes recompensas. Se você deseja aceitar este desafio, eu recomendo esta jornada a aqueles com menos de 40 anos de idade. Outro obstáculo é o visto para os imigrantes. Japão não é considerado um país aberto disposto a aceitar imigrantes. Embora haja muitos aqui ilegalmente, as autoridades tendem a ser rigorosos e inflexíveis quando se trata do processo de obtenção do visto. A maioria das pessoas escolhem a rota de visto de trabalho primeiro.

Encontre um emprego em uma escola de línguas disposta a patrocinar seu visto. O visto é geralmente válido para um ano, mas pode ser renovado indefinidamente. Se o seu contrato é com a escola, saia fora por conta própria, em tempo parcial no começo ou monte sua própria escola. Há maneiras de você mesmo patrocinar seu visto se você criar o seu próprio negócio. Um patrocinador pode ser encontrado por uma taxa ou de graça se ele for seu amigo. Isto é, alguém disposto a ser seu “responsável” enquanto você estiver no país. Outra forma é ser casado ou casar com um cidadão japonês. Isso faz com que você tenha visto de cônjuge. É o que dá menos problema, mas entendo que casamento não é para qualquer um. Um “acordo comercial” pode ser feito com alguém disposto a casar e é muito comum nos dias de hoje. Outra opção é o método “viajante perpétuo”. Americanos podem entrar no país sem visto e ficar por 90 dias. Isto significa que a cada três meses você “faz uma viagem de negócios.” Uma viagem rapidinha a Coréia pode ser feito em um dia. Sei de um proprietário estrangeiro de bar, numa grande cidade, que fez isso por anos! E pode ainda pode estar fazendo ainda. Ele comprou várias coisas nessas “viagens” como antiguidades, trouxe na bagagem de volta ao Japão, exibiu em seu bar, e vendeu, mais do que cobrindo as despesas de viagens. Tudo legal, embora esse método provavelmente não funcione se você tiver uma família. A propósito, abrir um “boteco” é muito fácil, basta o lugar. Não há necessidade de licença ou registros. Se você servir comida vai precisar de licença, mas ela pode ser facilmente obtida. Esse tipo de estabelecimento pode ser muito lucrativo para estrangeiros. Gente da Austrália e Nova Zelândia podem ter visto de trabalho. Acho que este é renovável por 3 anos ou coisa assim.

Há inconvenientes em outras áreas, mas estes são normalmente de ordem pessoal. Você pode não ser capaz de obter a tonalidade de cor de batom que quer ou assistir seu esporte favorito na segunda-feira à noite, mas penso que a maioria das pessoas, se elas forem flexíveis e persistentes, pode encontrar praticamente aqui qualquer coisa que querem. O Japão é um país de primeiro mundo com um alto padrão de vida, em quarto lugar na qualidade global de vida após a Finlândia, Canadá e os Estados Unidos, com um sistema de saúde muito bom a menos que você precise de transplante de órgão (mas isso chegará em breve) a uma fração do que custaria nos Estados Unidos se você fizer parte do Seguro Nacional de Saúde. Vivemos na província de Yamanashi a cerca de 100 km a oeste de Tóquio. Os maiores ladrões da vizinhança são corvos e raposas e ocasionalmente javalis. Não existe crime. Nunca nos damos ao trabalho de fechar ou travar qualquer coisa. Os vizinhos tomam conta um do outro. Os nossos filhos se dão bem na escola e a escola está satisfeita em tê-los como alunos. Mas existem estórias de horror em abundância sobre crianças estrangeiras ou de filhos de casamentos mistos em escolas públicas. Aqui não há drogas. Não se houve falar de casos de processos de litigação a nível pessoal. Se for injustiçado, você pode perder no entanto. Por outro lado, não há pessoas com advogado na família ganhando dinheiro processando gente que têm alguma coisa. Um bom carro usado pode ser obtido quase que de graça. Na verdade, ao longo dos anos várias pessoas me deram seus veículos simplesmente porque eles não precisavam mais deles. Checagem periódica no entanto é meio dificil de obter aqui. Acho que nunca compramos roupas para as crianças. Os vizinhos nos deram caixas de roupas de crianças que eles não precisam mais. A maior parte das coisas que eu precisava, como ferramentas e máquinas agrícolas, ganhei de pessoas que não queriam mais, que se aposentaram e não precisavam do material que acumularam ao longo dos anos. Os invernos são suaves pelo padrão norte-americano, com uma ocasional neve que derrete logo. O verão é quente e úmido, mas por causa da altitude elevada (cerca de 800 metros) não precisamos de ar condicionado e sempre esfria o suficiente para ser confortável à noite. Além do que casas rurais grandes japonesas não precisam de ar condicionado. O governo é uma democracia estável, a economia é enorme e está começando a melhorar. Estamos preocupados com terremotos grandes e temos tomado precauções em caso do “big one” nos atinjir. Mas devo dizer que prefiro estar aqui do que na cidade quando e se ele vier. Os japoneses são um pouco distantes, mas pelo menos eles vão te deixar só se você preferir assim. Amizade é algo difícil de fazer. Não existe nada parecido com “preço local” ou “preço para estrangeiros” que vi em muitos dos países que visitei.

Em suma, acho que muito pode ser feito aqui se você tiver a disposto a se esforçar, mas isso não é verdade em qualquer lugar do mundo?


Tradução do artigo “ Down on the Farm - Homesteading In Japan” por David Markle; datado de 25/Jan/2001.
Publicado sem autorização. O autor e a editora não responderam ao nosso pedido.
Traduzido pela Web Town.
Este artigo serve apenas como referência e pode acontecer dele não estar atualizado.

Uma outra forma de vida dekassegui - Parte 1

Sábado, Maio 17th, 2008

Neste artigo, David Markle relata como conseguiu fincar residência no Japão. De uma maneira totalmente diferente, sem gastar dinheiro ou ser empregado: fazendeiro autônomo.

Não sei se alguém considerou estabelecer residência em um dos países mais densamente povoados e caros do mundo. Japão provavelmente não vem à mente quando pensamos em comprar uma fazenda ou terreno, mas devido a alguns fatores interessantes em termos demográficos e econômicos, o Japão deveria constar na lista de toda pessoa considerando residência, especialmente se você pretende ter filhos. Te digo o porque neste artigo.

Para qualquer pessoa que tenhá visitado ou pensa em visitar o Japão, as imagens de arranha-céus de Tokyo e hordas de gentes vivendo em residências minúsculas cujo aluguel mensal é mais do que a renda de um ano de salário em vários países vem à mente. Mas há um outro Japão. Estou falando de um Japão rural, longe das cidades. Onde o ar é limpo, a água é pura, casas são maiores, a oferta de terrenos é ampla, o custo de vida é uma fração do que é na cidade, as pessoas são (quase) sempre amigáveis e as prefeituras locais te pagam para morar nos vilarejos. Não estou brincando. Obviamente ninguém fica rico fazendo isso, mas, acredite ou não, muitas cidades estão competindo entre elas para recrutar famílias (especialmente aquelas com crianças novas) para se deslocar para suas cidades. Eles oferecem todo o tipo de incentivos e apoio para tentar “revitalizar” os seus vilarejos.

A razão para isto é a demografia. Para começar, o Japão tem uma das taxas de natalidades mais baixas e vida media mais altas do mundo. Qualquer coisa em torno de 1,54 filhos por casal. Não há crianças o suficiente para sustentar o envelhecimento crescente da população. Há muita gente ativa em seus oitenta e muitos vivem bem em seus noventa. Não há pagadores de impostos em número suficiente para dar suporte as pessoas idosas em sua aposentadoria. Outra razão para isto é que, por razões demasiadamente complexas para se explicar aqui, jovens preferem não viver ou permanecer em zonas rurais. As economias destas áreas são baseadas em agricultura e a cidade, com suas luzes brilhantes pagando melhor por empregos com mais status, tendem a atrair os jovens. Combine esses dois factores e o que você têm como saldo são muitas e muitas cidades pequenas e vilarejos rurais (10.000 pessoas ou menos) perdendo cada vez mais jovens, pagadores de impostos, cidadãos produtivos, com menos e menos nascendo. Isto resulta num envelhecimento crescente da população com aposentados ou semi-aposentados tomando vantagem mais e mais de serviços sociais, em seus “anos dourados”. Em 10 anos ou mais, muitas dessas localidades serão asilos de velhos ou deixarão de existir completamente.

Ter filhos no Japão?

O governo federal reconhece o problema dessas comunidades que a nação como um toda enfrenta. Isso resultou num número de “planos de ação” para tentar reverter as coisa. O governo federal dá um subsídio de 300.000 ienes (cerca de US$ 3.000,00) para qualquer mulher que tiver filho no país. Governos locais, em alguns casos, pagam adicionais. O vilarejo em que vivemos paga adicionamente 300.000 ienes, elevando o total a cerca de US$ 6.000. Isso normalmente mais do que cobre o custo de ter um bebê em hospital. Na verdade, tenho ouvido falar de casos de pessoas ganhando dinheiro com isso, utilizando parteiras (que cobram menos que hospitais), pesquisando maternidades mais baratas, reduzindo a sua estadia no hospital para diminuir custo, fazendo o marido trazer refeição durante o seu tempo de permanência no hospital e muitas outras maneiras bem boladas de reduzir custos com nascimento para obter algum lucro. Algumas cidades pagam mais, outras menos. E mais, o governo local e federal dão atendimento médico e dentário para a criança durante os três primeiros anos de idade. Mesmo que a criança tenha um grave defeito de nascimento e necessite hospitalização constante. Está se discutindo agora em aumentar esse período para cinco anos ou até a criança entrar escola, mas isto ainda vai levar tempo. Fora isso, o governo vai lhe dar 5.000 ienes por mês durante 5 anos para ter tido a criança. Se tiver duas, você ganha 5.000 ienes adicionais por mês. Do terceiro filho em diante, será dado 10.000 ienes por mês para cada crianca. Sei de uma família de religiosos agricultores num outro lugar do país que vive deste subsídio. Eles tinham 7 filhos! A condição é que a família deve fazer parte do programa de Seguro Nacional de Saúde. Isso pode desmotivar algumas pessoas, mas posso acrescentar que ele é bem razoável e a taxa a ser paga é baseada na sua renda. Qualquer um, estrangeiro ou não, pode fazer parte e não fazem perguntas sobre condição atual. Mais adiante falo disso.

Várias cidades da nossa região tentam aliciar famílias com crianças, oferecendo diversos incentivos. Impossível dar pormenores de todos os programas mas devo acrescentar que a maioria das cidades não oferecem nada “oficialmente” ou não divulgam o que oferecem. Certamente nem todos os lugares oferecem possibilidades, mas posso dar alguns exemplos que me são familiares.


Um vilarejo montanhoso, de idosos, oferece incentivo em dinheiro de 30.000 ienes por criança inscrita no sistema escolar público, juntamente com subsídio de habitação e um subsídio a título de “custo de viagens” de 40.000 ienes por mês para o tempo morado no vilarejo. Existem condições a serem cumpridas no entanto. Você deve concordar em permanecer no vilarejo por pelo menos 5 anos e se você sair antes do prazo, todo o dinheiro recebido deve ser devolvido. Isso soa bem, mas eles só é oferecido a famílias onde o gerador principal de renda da família estiver com menos de 40 anos de idade. Crianças em fase escolar recebem um pequeno “subsídio” para despesas escolares e passe livre de ônibus. Uma cidade montanhosa antiga de mineração nesta região oferece moradia gratuita ou subsidiada (novamente, com taxa baseada em renda), para famílias com crianças em escola primária que queiram residir no vilarejo. Isto pode soar razoável, mas de maneira geral as residências estão em estado ruim e são muito pequenos para a maioria dos ocidentais. Mas é atraente a famílias com crianças “problema” que não se encaixam em outros lugares. Não existe tal coisa como “terra arável”, ja que o vilarejo se situa num lugar muito íngreme. Outro vilarejo que vimos alugam casas antigas desocupadas que o governo local comprou por valores nominais, algo como 5.000 a 1.0000 ienes por mês. O valor do aluguel, mais uma vez mais, depende da renda. Nós realmente gostamos do lugar. A desvantagem é que alguém que mora no vilarejo deve “patrocionar” ou seja, ser o fiador da família que se muda para o vilarejo. A menos que você tenha parente consanguíneo morando lá, as chances de encontrar alguém disposto a ser fiador são remotas. Em alguns lugares o próprio pessoal da prefeitura do vilarejo será o fiador se a pessoa/família pode oferecer algo que o vilarejo quer e precisa. Uma fábrica ou empresa produtora de empregos é ótimo; uma escola de línguas ou um negócio na área de educação também é bom. O que eles desejam é investimento e compromisso.

Vários municípios dão até casa para viver, sim, isso mesmo, uma casa, mas olhe com atenção, muitas vezes elas precisam de reparos ou reformas grandes, como novo telhado, fiação, etc. O outro lado da coisa é que muita gente (eu próprio incluído) pode ter sonhado em viver numa casa rural japonesa antiga com fogo a lenha (a casa que ocupo agora foi construída há 200 anos). A realidade é outra coisa. Eles nunca ouviram falar de isolamento térmico ou encanamento interno na era Meiji. Eu sei de um estrangeiro que comprou uma casa rural antiga e cuidadosamente restaurou a sua condição original. Uau! Outro lugar que conheço vai “dar” o terreno para você desenvolver. Sim, dar, mas você deve trabalhar nela e morar no mínimo 20 anos. O número de programas é tão grande e variado quanto é o número de vilarejos tentando se “revivar” (ou dar o último suspiro). Dê uma olhada com atenção antes de decidir. Pergunte a si mesmo: “eu realmente quero gastar boa parte da minha vida (e meu patrimônio) neste país e local?” É uma pergunta difícil.

Outra opção é rota “não oficial”. Escolha o local que você quer morar, vá lá e dê uma olhada no preços de “ryokan” ou pousada. Pergunte por preços de estadia semanal ou mensal. Todos eles têm, mas você pode ter que ficar em um quarto no fundo ou no sótão se quiser algo a preco razoável. Passe algum tempo no vilarejo e tente conhecer as pessoas. Estabeleça uma rotina diária. Compre na mesma loja alguns dias em seguida. O dono da loja então provavelmente irá lhe perguntar de onde você é e o que está fazendo no vilarejo. Seja amigável. Diga a um número maior possível de pessoas o que você está procurando. Possivelmente você encontrará alguém que vai te indicar um outro alguém que quer vender ou alugar o lugar perfeito que você procura. A barreira linguística é o maior obstáculo. Pode ser que alguém se disponha a ser tradutor, alguém que goste de falar inglês, e faça amizades com ele ou ela. Uma das vantagens desse método é que você poderá manter um certo grau de privacidade, mas não tenha qualquer dúvida que funcionários publicos locais, mais cedo ou mais tarde, irão descobrir o que você está fazendo.

A reação deles dependerá de muitas coisas, principalmente se você é percebido como tendo algo de valor para acrescentar à comunidade local, o que você está realmente fazendo e se existem reclamações. Muito provavelmente vão te deixar a vontade desde que você não infrinja leis. Dê um presentinho (dinheiro não) para a polícia local e se apresente. Pelo amor de Deus, não ponha garrafas de vidro no lixo no dia de latas de alumínio! Isso te dar mais trabalho que engravidar a filha do prefeito.

Em nosso caso, gastamos um bom tempo procurando pelo “lugar certo”. Nas zonas rurais do país, devido ao número dos proprietários que morrem sem herdeiros dispostos a “cultivar a terra”, há uma abundância de terrenos pequenos cujo proprietário tem interesse em alugar ou emprestar gratuitamente mesmo que seja apenas para evitar que as ervas daninhas tomem conta da propriedade. Tenha em mente que você pode construir quase que qualquer tipo de estrutura sem muita interferência mas é esperado que o local seja restaurado à sua condição original quando você deixar o local. Há também um monte de fazendas velhas abandonadas e desocupadas e que podem ser compradas ou alugadas. Mas note que alugar é difícil devido à lei de aluguel que protege o inquilino. Encontrar alguém disposto a alugar é difícil mas não impossível; nós conseguimos. Eu pessoalmente recomendo alugar em vez de comprar já que isso mantém o pessoal da prefeitura fora, baixa o imposto a ser pago e, portanto, limita o seu risco. Estamos neste momento em processo de criação de uma fazenda de mirtilo e framboesa em terras recuperadas. Nós também alugamos e cuidamos de um pomar de caqui. Estou atualmente investigando uma espécie de batata peruana que é popular entre os entusiastas da alimentação saudável, têm bom preço de mercado no momento e, supostamente, cresce bem na nossa área. Quase todo mundo que nos rodeia nesta parte do país cria uvas de mesa Kyodo. Outros tipos de uvas são possiveis; criação de uva para vinho é outra se esse é o seu sonho. Existem algumas adegas locais nas proximidades, por que não começar um? Estrangeiros podem atrair atenção no Japão se quiserem.

[continua na parte 2]

Tradução do artigo “ Down on the Farm - Homesteading In Japan” por David Markle; datado de 25/Jan/2001.
Publicado sem autorização. O autor e a editora não responderam ao nosso pedido.
Traduzido pela Web Town.
Este artigo serve apenas como referência e pode acontecer dele não estar atualizado.

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