O Dekassegui Olímpico


O Asahi Shimbum de 24/Jul/08 traz uma matéria sobre MAHAU SUGUIMATI, 23 anos, filho de dekasseguis que vai representar o Brasil na Olimpíada de Pequim na categoria 400 m com barreiras. Título do artigo: “Representante brasileiro diz que o coracao é japonês”.

Vindo do Paraná segundo o jornal (outra fontes dizem que ele é do Mato Grosso) e morando no Japão desde o terceiro ano primário, praticou salto em altura durante o primeiro e segundo grau até que seguiu conselho do técnico da escola que frequentava, Nihon Wellness Sport Senmon Gakko, uma escola técnica especializada em atletismo, para mudar para a categoria 400 m com barreiras.

O artigo prossegue dizendo que quanto maior o progresso feito pelo atleta, maior o peso da nacionalidade. Ao ingressar no mercado de trabalho recebeu oferta de emprego de uma empresa com departamento de atletismo. Mas como não poderia entrar para o departamento por ser estrangeiro, resolveu desistir.

“Cheguei pensar em me naturalizar mas isso iria me impedir de participar por 3 anos (regra da Olimpíadas)”. Ao tirar o segundo lugar no campeonato nacional japonês em 2006, percebeu que havia outra chance: a de participar pelo Brasil.

Incapaz de formular conversas complexas em português, entrou em contato como o comitê olímpico brasileiro com a ajuda dos pais. Ficou em segundo no campeonato brasileiro em 2007. Venceu a de 2008 com 49:15 segundos e garantiu a participação em Pequim.

O lugar de treinos continua sendo o Japão. Este ano se tornou funcionário contratado da escola acima onde exerce a função de coach (técnico treinador). É chamado pelos mais novos de Mahau-san. “Meu coracao é japonês. Ao retornar ao Brasil depois de tanto tempo, não consegui conversar com as pessoas. Ao ser apresentado ao técnico de lá, ao invés do usual aperto de mão, quase que fiz ojigui (curvar o corpo como comprimento)”.

O artigo não cita mas anos atrás houve um caso inverso. O de uma americana com nacionalidade dupla numa categoria de atletismo. Não tendo conseguido se classificar como representate americana, conseguiu como japonesa.

A grande diferenca está em como o países receptores aceitam isso. Enquanto o Mahau é muito bem tratado na mídia e pelo publico brasileiro, a americana foi recebido friamente por todo mundo aqui: o comite olímpico, colegas, público japonês e malhada pela mídia japonesa como aproveitadora e para-quedista.

O website da escola acima traz o Mahau com grande destaque. Confira aqui. Afinal ter ex-aluno participando da Olimpiada é motivo de orgulho e ótima propaganda pra escola.

O slogan no banner é interessante: “intervalo de 12 segundos – o barreirista que venho do Brasil”. Se você pergunta qual a imagem que o japonês tem do brasileiro, isso te dá uma pista. Em cidades onde o brasileiro não faz parte do cotidiano, como em Tokyo, onde a escola fica, a imagem é positiva, dado ao destacado papel em esportes – futebol, artes marciais, etc.


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