Uma Outra Forma de Vida Dekassegui – Parte 2



Como manter as despesas baixas

É verdade. O Japão é provavelmente o lugar mais caro para se viver no mundo. Mas, como já disse antes, o custo de vida no meio rural é uma fração do que é na cidade. Aluguel e preços de imóveis são bem razoáveis, há abundância de terra e as casas são grandes. Em nossa região, a água é fornecida por uma “cooperativa” e paga-se de uma taxa fixa por ano (6.000 ienes), não importa o quanto você usar. Sei de gente que paga 5 vezes mais do que nós apenas pela água e esgoto na cidade vizinha. A electricidade é razoável e confiável.

De longe o maior gasto neste país, especialmente para famílias com crianças, é a alimentação. É muito cara e não existem programas para ajudar pessoas com baixa renda. E mais, em cima disso temos 5%, que é um imposto sobre as vendas em tudo comprado (nos é dito que é para sustentar a parcela idosa da sociedade). Isto pesa. No entanto viver no interior e ter terra para cultivar nos permitiu reduzir fortemente os nosso gastos com alimentação. Somos auto-suficiente em frutas e produtos hortícolas frescos, incluindo grãos de trigo. Aquilo que não podemos criar ou produzir é obtido por trocas. Criamos frangos de corte e ovos. Atualmente trocamos ovos por leite e manteiga com um pequeno produtor da prefeitura de Nara. Ovos por arroz com uma família em Kyushu, carvão vegetal com outra pessoa, diversas coisas com gente de todo o país. A indústria de remessa de pacotes é muito competitiva e eficiente aqui.

Em um país deste tamanho a maioria das coisas chegam em um ou dois dias. O custo é bem baixo, 400-600 ienes para enviar uma caixa de 5 kg para a maioria dos lugares do país. Ficamos conhecendo essas pessoas através da Internet. Não usar dinheiro significa que podemos tirar vantagens do sistema para melhorar nosso padrão de vida. A maior parte das pessoas com que fazemos permuta produzem seus próprios produtos e costumam enviar mais do o prometido (como nós fazemos) de maneira que você acaba obtendo mais do que obteria no supermercado pagando em dinheiro. Com isso também evitamos imposto sobre as vendas, sobre a renda, sobre propriedade, etc. Negociamos diretamente com as pessoas que consomem o que produzimos. Como mencionei antes, muitas coisas como saúde, mensalidades escolares, imposto sobre a renda são baseados no nível de renda que você têm. Quanto mais você ganha mais você paga. Mais corretamente , quanto mais você declara o que você ganha, mais você paga. Devo mencionar que embora não seja por educação ou inclinação especialista em imposto, nunca paguei qualquer imposto sobre renda neste país. Nunca ganhei o suficiente para tanto. Eu faço isso mantendo minha renda declarada abaixo de um certo nível ficando assim fora do radar dos fiscais de imposto. Isso também reduz despesas baseadas em renda. O esquema de permuta funciona bem, já que (pelo menos até agora) produtos permutados não são considerados sujeitos a imposto (como são em alguns países). Muitas pessoas que têm negócios e trabalham só com dinheiro vivo mantém dois livros de contabilidade. Isto funciona porque raramente alguem é flagrado e ninguém vai para a prisão por delitos fiscais no Japão. Se for flagrado há normalmente apenas uma multa pesada. É onde se manter quieto sem aparecer muito vale a pena. Muitas despesas podem ser reduzidas por não se possuir bens imobiliários também. Proprietários de imóveis no Japão atraem atenção. Nós preferimos alugar casa e terrenos. Para aqueles dedicados à acumulação de riqueza financeira há outras maneiras. Não mantenha o seu dinheiro em bancos japoneses; eles pagam quase que nenhum juro. Nós remetemos o que podemos para o estrangeiro de uma maneira civilizada. Transações não documentadas em papel são as melhores embora as autoridades parecem estar mais preocupadas com o que entra no país e não tanto quanto o que sai. A Coréia é um lugar conveniente e um paraíso fiscal popular para conta bancária para japoneses com muito dinheiro e hiper taxados (com mais de 50% de imposto a pagar). Propriedades no exterior e renda obtida fora do pais não são passíveis de tributação a menos que trazidos para dentro do país. Notei recentemente que nem o Japão ou Coréia ou qualquer outra nação asiática, nesse aspecto, fazem parte da lista negra da OECD. Acho que isso significa que eles não estão preocupados com isso ainda.


Que tal abrir uma empresa?

Sentimo-nos encorajados com o crescimento da Internet neste país e com a eficiência do sistema de entrega do pacotes e da infraestrutura em modo geral. Me sinto confiante em dizer que será possível atingir o mercado diretamente, sem nunca ter de passar pelo “tradicional” sistema de distribuição. Como já disse antes, estamos no negócio de produção de frutas frescas mas muitas outras possibilidades vêm à mente. Como negócio de importação/exportação para “viajantes perpétuos”. Antiguidades estrangeiras, sobretudo ocidentais, antigas moedas, selos, cartas de presidentes e primeiros-ministros são muito populares e obtém bom preço aqui, especialmente se for da época da Segunda Guerra Mundial. Estes ítens são pequenos e podem ser transportados ou remetidos muito facilmente. Que tal plantar flores e vende-las pela Internet? Flores frescas obtém um bom preço no mercado. Existe até serviço de pacotes congelados (cool takyubin), caso seja necessário. A maior parte dos ocidentais que conheço prefere escolas de inglês. Isto é fácil de montar mesmo que com pouco dinheiro e pode ser feito em casa. De fato, se você resolver se estabelecer numa zona rural onde existem poucos ou nenhum estrangeiro ensinando inglês, as pessoas vão bater à sua porta para pedir para ensiná-los ou aos seus filhos. Isto leva apenas algumas horas por semana e pode ser um negócio muito lucrativo como bico ou ocupação principal mas, mais uma vez, “só a base de dinheiro vivo”. Isso também ajudará você a conhecer pessoas e fazer amigos na comunidade local, que pode ser vantajoso.


Desvantagens

Sem dúvida existem muitas desvantagens e obstáculos a vencer para estabelecer residência no Japão. A língua sendo a primeira e talvez mais importante, mas se você estiver dedicado à aprende-la, o que pode demorar alguns anos, qualquer um pode aprender (se eu consigo, qualquer pessoa pode, acredite em mim). Há sacrifícios, mas, como qualquer outra coisa na vida, pode haver grandes recompensas. Se você deseja aceitar este desafio, eu recomendo esta jornada a aqueles com menos de 40 anos de idade. Outro obstáculo é o visto para os imigrantes. Japão não é considerado um país aberto disposto a aceitar imigrantes. Embora haja muitos aqui ilegalmente, as autoridades tendem a ser rigorosos e inflexíveis quando se trata do processo de obtenção do visto. A maioria das pessoas escolhem a rota de visto de trabalho primeiro.

Encontre um emprego em uma escola de línguas disposta a patrocinar seu visto. O visto é geralmente válido para um ano, mas pode ser renovado indefinidamente. Se o seu contrato é com a escola, saia fora por conta própria, em tempo parcial no começo ou monte sua própria escola. Há maneiras de você mesmo patrocinar seu visto se você criar o seu próprio negócio. Um patrocinador pode ser encontrado por uma taxa ou de graça se ele for seu amigo. Isto é, alguém disposto a ser seu “responsável” enquanto você estiver no país. Outra forma é ser casado ou casar com um cidadão japonês. Isso faz com que você tenha visto de cônjuge. É o que dá menos problema, mas entendo que casamento não é para qualquer um. Um “acordo comercial” pode ser feito com alguém disposto a casar e é muito comum nos dias de hoje. Outra opção é o método “viajante perpétuo”. Americanos podem entrar no país sem visto e ficar por 90 dias. Isto significa que a cada três meses você “faz uma viagem de negócios.” Uma viagem rapidinha a Coréia pode ser feito em um dia. Sei de um proprietário estrangeiro de bar, numa grande cidade, que fez isso por anos! E pode ainda pode estar fazendo ainda. Ele comprou várias coisas nessas “viagens” como antiguidades, trouxe na bagagem de volta ao Japão, exibiu em seu bar, e vendeu, mais do que cobrindo as despesas de viagens. Tudo legal, embora esse método provavelmente não funcione se você tiver uma família. A propósito, abrir um “boteco” é muito fácil, basta o lugar. Não há necessidade de licença ou registros. Se você servir comida vai precisar de licença, mas ela pode ser facilmente obtida. Esse tipo de estabelecimento pode ser muito lucrativo para estrangeiros. Gente da Austrália e Nova Zelândia podem ter visto de trabalho. Acho que este é renovável por 3 anos ou coisa assim.

Há inconvenientes em outras áreas, mas estes são normalmente de ordem pessoal. Você pode não ser capaz de obter a tonalidade de cor de batom que quer ou assistir seu esporte favorito na segunda-feira à noite, mas penso que a maioria das pessoas, se elas forem flexíveis e persistentes, pode encontrar praticamente aqui qualquer coisa que querem. O Japão é um país de primeiro mundo com um alto padrão de vida, em quarto lugar na qualidade global de vida após a Finlândia, Canadá e os Estados Unidos, com um sistema de saúde muito bom a menos que você precise de transplante de órgão (mas isso chegará em breve) a uma fração do que custaria nos Estados Unidos se você fizer parte do Seguro Nacional de Saúde. Vivemos na província de Yamanashi a cerca de 100 km a oeste de Tóquio. Os maiores ladrões da vizinhança são corvos e raposas e ocasionalmente javalis. Não existe crime. Nunca nos damos ao trabalho de fechar ou travar qualquer coisa. Os vizinhos tomam conta um do outro. Os nossos filhos se dão bem na escola e a escola está satisfeita em tê-los como alunos. Mas existem estórias de horror em abundância sobre crianças estrangeiras ou de filhos de casamentos mistos em escolas públicas. Aqui não há drogas. Não se houve falar de casos de processos de litigação a nível pessoal. Se for injustiçado, você pode perder no entanto. Por outro lado, não há pessoas com advogado na família ganhando dinheiro processando gente que têm alguma coisa. Um bom carro usado pode ser obtido quase que de graça. Na verdade, ao longo dos anos várias pessoas me deram seus veículos simplesmente porque eles não precisavam mais deles. Checagem periódica no entanto é meio dificil de obter aqui. Acho que nunca compramos roupas para as crianças. Os vizinhos nos deram caixas de roupas de crianças que eles não precisam mais. A maior parte das coisas que eu precisava, como ferramentas e máquinas agrícolas, ganhei de pessoas que não queriam mais, que se aposentaram e não precisavam do material que acumularam ao longo dos anos. Os invernos são suaves pelo padrão norte-americano, com uma ocasional neve que derrete logo. O verão é quente e úmido, mas por causa da altitude elevada (cerca de 800 metros) não precisamos de ar condicionado e sempre esfria o suficiente para ser confortável à noite. Além do que casas rurais grandes japonesas não precisam de ar condicionado. O governo é uma democracia estável, a economia é enorme e está começando a melhorar. Estamos preocupados com terremotos grandes e temos tomado precauções em caso do “big one” nos atinjir. Mas devo dizer que prefiro estar aqui do que na cidade quando e se ele vier. Os japoneses são um pouco distantes, mas pelo menos eles vão te deixar só se você preferir assim. Amizade é algo difícil de fazer. Não existe nada parecido com “preço local” ou “preço para estrangeiros” que vi em muitos dos países que visitei.

Em suma, acho que muito pode ser feito aqui se você tiver a disposto a se esforçar, mas isso não é verdade em qualquer lugar do mundo?


Tradução do artigo ” Down on the Farm – Homesteading In Japan” por David Markle; datado de 25/Jan/2001.
Publicado sem autorização. O autor e a editora não responderam ao nosso pedido.
Traduzido pela Web Town.
Este artigo serve apenas como referência e pode acontecer dele não estar atualizado.



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